Wagner Araujo

Arriscando um pouco (de)mais nas fotos aquáticas

Ás vezes, vale a pena arriscar um pouco mais (para alguns demais), para ter aquela imagem que deixa todo mundo de queixo caído

No último fim de semana, retornei à capital amazonense para cobrir mais uma competição, dessa vez a 2ª Etapa do Campeonato Brasileiro Hammerhead de Aquathlon. A Ponta Negra, em Manaus, é um cenário maravilhoso, mas a prova tinha um grande desafio: era rápida demais. Com 2,5km de corrida, 1.000m de natação e mais 2,5km de corrida, os primeiros cruzariam a linha de chegada em torno de 30 minutos. Por isso eu tinha que ser rápido. Além disso, Aquathlon não é Triathlon, então precisava captar a essência desse esporte mais “aquático”. Era necessário arriscar. E foi o que eu fiz, arrisquei mais, para muitos, demais. Será?

Recentemente, adquiri uma caixa (capa) estanque simples, que não é feita para mergulho, mas para fotos na superfície da água. Como adquiri o produto em um site chinês, testei durante dois dias inteiros, mergulhando-a em um tanque d’água com papel higiênico dentro da caixa. Nenhuma gota! Enquanto uma caixa estanque de acrílico custa mais de 1.000 dólares e uma capa estanque famosa algo em torno de R$800,00, a xing ling ling saiu por R$60,00 dólares. E, a princípio, funcionava.

Logo ficou claro que não entraria água, mas eu jamais arriscaria mergulhar demais, nem arriscaria colocar a D600 lá. Minha segunda preocupação era saber se a qualidade do vidro frontal interferiria nas imagens ou embaçaria. Eu só descobriria isso em Manaus.

As primeiras largadas foram das categorias infantis, cenário ideal para eu testar a Nikon D7000 com a caixa (seria muito chamar de caixa?) estanque. Usei uma lente Nikon 18-200, bem versátil, assim poderia fazer tudo o que quisesse: fechada, aberta, com céu, close-up… Confesso que não penei muito nessa hora. Todos os demais fotógrafos que estavam lá fitavam-me e eu sabia que eles me achavam louco. Mas lá fui eu, nas escuras águas do Rio Negro que, para piorar a situação, teve 4 jacarés avistados na semana passada.

No último post, comentei sobre como fazer fotos diferentes de uma mesma competição. Esse foi um caso extremo. Lá estava eu na água com minha caixa estanque chinesa e um equipamento caro dentro dela. Quando ouvi o primeiro clique com a câmera submersa, vi que funcionou e ela estava, realmente, estanque.

Marinheiro de primeira viagem em fotos na água, não fui de sunga e nem levei toalha. Confesso que estava gostando tanto das fotos que nem lembrei disso, só quando saí da água ;) Bem, nos primeiros frames já percebi que teria grandes imagens.

Continuei fazendo fotos da molecada nadando e consegui ângulos incríveis, inimagináveis fora d’água. Acabando a natação, saí correndo e todo molhado, o que foi péssimo. Realmente difícil sair molhado no percurso, molhando câmera, lente e tudo mais. Também descobri que é importante ter alguém de confiança para deixar sua mochila. Lá em Manaus, ainda bem, havia muitos.

Saindo da água eu cometi o maior erro do dia. Ao abrir a caixa estanque, a umidade brutal de Manaus entrou com tudo. Calma! Não aconteceu nada com meu equipamento, mas essa umidade me prejudicaria mais tarde, quando os adultos caíram nas belas águas do Rio Negro.

Quando coloquei a câmera de volta na caixa estanque e vedei, estava tudo bem, mas foi entrar na água e embaçou tudo. O pior é que eu não percebi e continuei fotografando. Algumas imagens ficaram interessantes, mas perdi algumas graaaandes imagens. Faz parte do aprendizado. Da próxima vez deixarei algo para absorver a umidade, como sílica.

Ainda tenho que treinar muito para fazer o que imagino na água, mas vi que é possível e a caixa funciona. O próximo teste será no Ironman Brasil, maior prova de Triathlon da América Latina, que acontece no dia 26 de maio, em Florianópolis/SC. Lá, com certeza, arriscarei mais. Loucura? Não, pois mais nem sempre é demais.

Bons cliques.

Categories: Sports,Tech

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