Wagner Araujo

High ISO: você tem medo de quê?

Imagem com ISO 6400, Nikon D810, f/7.1.
Imagem com ISO 6400, Nikon D810, f/7.1.

Quando se trata de ISO, fotos em eventos ao vivo têm uma abordagem bem diferente do estúdio ou de sessões em uma locação.

Quando você começa a aprender sobre fotografia digital, sempre escuta em livros, cursos e vídeos: mantenha o ISO o mais baixo possível. A partir daí, torna-se quase uma obsessão manter sua câmera operando em ISO50, ISO100 ou, no máximo, ISO200. Afinal, ruído na imagem parece ser o maior problema do mundo. Mas, se analisarmos a regra de ouro, podemos concluir algo muito importante: “mantenha o ISO o mais baixo possível”. Normalmente, só prestamos atenção à parte da sentença que diz “mantenha o ISO o mais baixo”, mas esquecemos do “possível”.

Em um ambiente controlado, seja em estúdio, seja em uma sessão de fotos em uma locação, o possível é um ISO muito baixo. Eu costumo usar o ISO200 nesses casos. Depois de muitos testes, reparei que todas as minhas câmeras Nikon operam melhor com ISO200 do que ISO 100, parece ser o “sweet spot”. Mas, e quando se trata de esportes à noite ou com tempo nublado? Nesses casos, tudo muda de figura. Existe um número mágico para a maioria de esportes de movimento humano: 1/1000seg. Essa é a velocidade do obturador para se congelar, praticamente, qualquer movimento. Parte das imagens esportivas são, exatamente, assim (embora seja importante transmitir o movimento de outras formas, como panning, zooming etc., mas isso é tema para outro artigo). Para se chegar a essa velocidade, seguindo o triângulo da exposição, você tem dois caminhos. O primeiro, aumentar a abertura. É por isso que todo fotógrafo esportivo profissional tem lentes tele objetivas f/2.8, 2 stops mais clara que uma f/5.6. Mas, não existem lentes de 200mm f/1.4 e você não vai fotografar algo a 50m de distância com uma lente 55mm ou até mesmo uma 85mm. Simplesmente, não funciona. A solução, então, para se chegar aos 1/1000seg é aumentar o ISO da câmera.

Em jogos noturnos de futebol, por exemplo, é comum trabalhar com ISO12000! Apesar do estádio parecer claro para quem assiste, a qualidade da luz é muito ruim para nós, fotógrafos. Mesmo durante a luz do sol, em dias nublados, é comum usar ISO1000 ou ISO1600. Tudo se complica ainda mais quando se trata de esportes de motor, onde a velocidade do obturador para se congelar o movimento é algo em torno de 1/2000seg, que pode implicar um ISO12800! Tudo isso parece absurdo, mas pense no que é melhor: uma imagem com pouco ruído, mas borrada, com baixa nitidez; ou uma imagem nítida, mas com ruído. Imagens sem nitidez não servem para absolutamente nada, a não ser se forem produzidas com essa finalidade. E vou dizer uma coisa. Para um observador comum, que vê as imagens em jornais, revistas e até mesmo na web, o ISO não faz quase diferença alguma! No entanto, esse mesmo observador é capa de identificar uma imagem sem nitidez.

Além disso, o tratamento de ISO das câmeras e dos softwares atuais tornam o problema bem menor. Nessas situações de ISO alto eu prefiro, por incrível que pareça, fotografar em JPEG do que RAW. A redução de ruído da Nikon D600 é fantástica e me economiza muito tempo para chegar aos mesmos resultados no Lightroom e no Photoshop com um arquivo RAW. Sempre mantenho a configuração de “High ISO Noise Reduction” em “High” no menu “Shooting”.

Nas câmeras Nikon (acredito que nas Canon também haja algo parecido), é possível especificar uma velocidade mínima do obturador e o ISO máximo para fotografar no modo abertura (que uso 90%) das vezes. No menu “Shooting”, existe a opção “ISO Sensitivity Settings”. Dentro desse menu, há a opção “ISO sensitivity auto control”, que pode ser ligada ou desligada. Quando ligada, é necessário especificar a velocidade mínima do obturador (quase sempre uso 1/1000seg) e o ISO máximo, que deixo em 6400. O ISO mínimo será o ISO escolhido, que costumo deixar em 200. Dessa forma, é possível fotografar com uma velocidade mínima mesmo usando o modo de prioridade de abertura, sem se preocupar co ajustes de ISO, o que é fantástico e agiliza muito o trabalho “in the field”, pois em eventos ao vivo, se perdermos o momento, já era, não tem volta! E você, ainda tem medo de High ISO?

Bons cliques..

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