Wagner Araujo

Review de campo: Nikon AF-S 200-500mm f/5.6 ED VR

Por Wagner Araújo

Recentemente, tive a oportunidade de fotografar com um dos últimos lançamentos da Nikon, a Lente AF-S 200-500mm f/5.6 ED VR. O que tem chamado a atenção do público é o valor da lente, cerca de 1.350 dólares nos Estados Unidos (preço ainda não definido no Brasil). Até então, esse tipo de super telefoto só era encontrado a esse valor nos modelos de outras marcas, como Sigma e Tamron.

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O modelo mais próximo da própria Nikon era a 200-400 f/4, a cerca de 7.000 dólares, ou seja, 5.650 adicionais por um stop a mais (e teoricamente um pouco de nitidez). A Sigma possui uma lente que estava dominando essa faixa de mercado, a excelente 150-600, oferecida em suas versões: Contemporânea (cerca de 1.000 dólares) e Esporte (cerca de 1.800 dólares, devido ao autofoco mais rápido). A Tamron também possui um modelo semelhante.

Assim, tudo indica que a intenção da Nikon foi tentar se posicionar melhor nessa faixa do mercado, onde estão aqueles consumidores que não podem ou não precisam das super telefotos, como a 400mm f/2.8 (a melhor de todas da Nikon, pela bagatela de 11.000 dólares) ou a 600mm f/4 (cerca de 12.000 dólares).

Esta avaliação se baseia no uso da lente Nikon 200-500 em três eventos reais que cobri no fim de 2015: o Ironman 70.3 Miami, o Sesc Triathlon Tramandaí/RS e a Volta Internacional da Pampulha. Todos eles foram eventos de longa duração, com cerca de 6 horas totais, nas quais me desloquei muito.

Nesse tipo de evento, normalmente utilizo a confiável, nítida e robusta Nikon 70-2000 f/2.8, uma lente indispensável para, praticamente, qualquer fotógrafo. Para os de esporte outdoor diurnos, ele sempre será a lente número 1, com seu foco preciso e nitidez excelente. Nesses três eventos supracitados, não levei a 70-200 comigo, pois queria ver como a 200-500 se saía em condições reais, nas quais eu teria que entregar as imagens de qualquer jeito. É claro que ei já havia feito alguns testes e também estudado bastante a lente, mas “quem sabe faz ao vivo.”

No primeiro evento, o Ironman 70.3 Miami, percebi uma primeira grande diferença em relação à 70-200: o peso. A 200-500 é enorme e pesada. Alguns fotógrafos gostam de exibir lentes grandes, que arrancam aquele “wow” do público, mas a verdade é que o peso limita a mobilidade do fotógrafo. A princípio, pensei que seria impossível fazer algumas das imagens que mais gosto, da área de transição (onde ficam as bicicletas em uma prova de Triathlon), antes da largada, quando ainda estava escuro. O VR (Vibration Reduction) é muito bom, e consegui registrar algumas imagens, mesmo sem o monopé com velocidades inferiores a 1/200seg.

É difícil segurar o monstro!
É difícil segurar o monstro!

Ela foca em uma distância relativamente curta para uma distância focal tão grande, cerca de 2 metros. Assim, é possível fazer alguns close ups bem interessantes e menos intrusivos que a 70-200.

Quando a ação começou, resolvi testa-la em dois corpos diferentes, na D4 e na D750, ambas com resultado similar. Vamos a alguns exemplos:

. Super close a grandes distâncias:

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. Autofoco funciona normalmente e com grande contra-luz:

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. Nitidez excelente, mesmo a f/5.6 (abertura máxima) a 500mm. Veja na imagem abaixo o crop a 100% em 1000px (a imagem original era 6016px). Nesse momento, os atletas pedalavam a cerca de 50km/h e o autofoco funcionou com maestria:

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. Bokeh agradável em todas as distâncias focais:

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. Mesmo em situações de autofoco desafiador, ela continuo operando muito bem a f/5.6 e em todas as distâncias focais:

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Por fim, o teste mais difícil acabou sendo a volta da Pampulha, prova de corrida de rua em Belo Horizonte/MG. Foi um dia chuvoso, de grande umidade e situações que exigiram muito do autofoco, já que, em alguns momentos, havia centenas de atletas no frame. Utilizei uma capa de chuva Hydrofobia ThinkTank 70-200, que deu conta do recado, deixando um pequeno espaço exposto. A lente resistiu bem e não entrou nenhuma água. O autofoco na chuva continua impecável:

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Dessa vez tive que utilizar a lente em um monopé com o VR desligado. E aí surgiu um problema. Mesmo sem desenroscar muitas vezes, o colar da lente perdeu totalmente a rosca. O plástico da peça não deu conta de segurar o metal da rosca em si e me deparei com esse problema no meio do evento. Como pode uma lente com apenas algumas horas de uso apresentar um defeito desses? Acredito que a grande quantidade de elementos de plástico explique o preço, mas, por outro lado a deixa muito mais frágil do que se tivesse mais elementos de metal. Esse foi o grande ponto negativo da lente em minha opinião.

Em resumo, os pontos altos da lente foram:

  1. autofoco
  2. Nitidez
  3. Preço

Os pontos baixo, por outro lado:

  1. Peso
  2. Fragilidade

Considerando minha experiência ainda pequena com o produto, acredito que a Nikon tenha acertado no modelo, principalmente pelas características óticas e o foco. Nesse preço, você não encontrará lente melhor para câmeras Nikon. Para fotógrafos de uso menos intensivo ou que não precisam se deslocar tanto, é uma grande pedida. Fotógrafos de natureza tem aqui uma bela oportunidade de ampliar suas possibilidades de alcance sem gastar uma fortuna.

Estou em busca de um colar mais duradouro para ela, já encontrei alguns fabricados por terceiros. Provavelmente, deixarei essa lente para situações específicas em eventos de Triathlon, atletismo e ciclismo, em geral, largadas e chegadas, onde é interessante ter um pouco mais de alcance. Não se trata de uma opção para fazer imagens na moto, em movimento, mas uma boa opção para esses long shots. Ela também se tornou minha lente número um para fotos de natureza, onde a distância do objeto é crítica.

A Nikon possui duas opções que concorrem diretamente com essa lente, as quais já pude testar rapidamente, mas não em detalhes. A nova 80-400 VR2 é uma opção muito interessante, com praticamente as mesmas características, porém significativamente mais wide (80mm vs 200mm). O problema é que esses 110mm a “menos” lhe custarão 800 dólares. A vantagem é que a 80-400 f/4.5-5.6 substitui ainda 70-200 em situações de luz do dia, o que a faz muito atrativa. Eu ainda prefiro manter as duas separadas, mas conheço fotógrafos de campo que optaram por usar somente a 80-400mm.

Outra lente que eu gostei muito e tive a oportunidade de fazer algumas imagens é a nova 300mm f/4E PF ED VR, uma lente pequena e leve, graças ao elemento Phase Fresnel (PF), que promete revolucionar as lentes atuais. Apesar de nítida e muito leve, a 300mm não representa um aumento de distância focal tão significativo em relação à 70-200. Se você utilizar essa última lente no modo crop DX (ou em uma câmera DX), ela se equivale a uma 105-300. Já a 200-500 no modo DX se torna uma impressionante 300-750.A Nikon diz ser possível ainda utilizar um teleconverter 1.4 na 200-500, o que a transformaria em uma 420-1050 f/8 no modo crop DX. Como a maioria das câmeras atuais consegue focar (pelo menos no centro) com esse f/stop, essa seria uma opção sem igual para fotografia de vida selvagem em dias claros, isso tudo a um custo de menos de 1800 dólares. Para que a lente se popularize ainda mais, a Nikon deveria redesenhar o colar, assim, seu único contraponto seria mesmo, o peso, o que é mais do que compensado pela nitidez, autofoco e preço, fazendo da Nikon AF-S NIKKOR 200-500mm f/5.6E ED VR uma das lentes telefoto com melhor custo-benefício do mercado.

Bons cliques.

Categories: Sports,Tech

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