Wagner Araujo

Transportando seu equipamento fotográfico em viagens aéreas: bagagem de mão

Você já teve problemas com as companhias no Brasil e no exterior? Saiba que é mais comum do que imagina. Os transtornos podem ser evitados com algumas dicas simples.

Viajar é inerente à fotografia, afinal estamos sempre nos deslocando para captar imagens profissionalmente ou por lazer. Quando viajamos de carro, não costumamos ter problemas, já que controlamos a quantidade de bagagens e a forma que levamos. O problema aparece quando é necessário fazer uso de transporte aéreo.

Pro Roller Lite image 1

Em todas as companhias aéreas nas quais viajei no mundo, a quota de bagagem de mão é uma pequena mala de até 10kg e mais um pequeno item (laptop. Mochila, bolsa etc.). Essa regra, contudo, não vale no Brasil. Alegando motivo de segurança, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e as companhias aéreas brasileiras insistem que o limite de bagagem de mão é de apenas um item de 5kg. Será que os aviões brasileiros são mais inseguros? Aposto que não.

Mas, por que estou falando da bagagem de mão (carry-on)? Por um motivo simples: você não deve, jamais, despachar seu equipamento fotográfico essencial, a saber corpos de câmeras, lentes, rádio triggers e laptop. Primeiro, porque as bagagens despachadas, nos grandes aeroportos nacionais e internacionais, seguem em sistemas automatizados, onde não há interferência humana e nenhum cuidado com as mesmas (quantas malas rígidas você já viu quebradas em aeroportos?). Segundo, porque, infelizmente, não podemos confiar nos operadores de aeroportos de qualquer lugar do mundo. Lembre-se que muitas bagagens sofrem inspeção de segurança e passam por raio-X. Com isso, pode-se ver tudo o que há dentro da mesma. Terceiro, em torno de 3% das malas em todo mundo são extraviadas e 20% delas nunca mais são vistas. Sua mala com equipamentos pode ser uma delas.

Costumo levar minha bicicleta para viagens mais longas aos EUA. Em todas as vezes, meu case da bike foi aberto e foi colocado um aviso de segurança, avisando que o procedimento havia sido realizado. Assim como abriram a mala da minha bicicleta, podem abrir qualquer mala em qualquer país, é uma prerrogativa de segurança que, aliás, é extremamente benéfica para evitar problemas com pessoas mal intencionadas. Isso, contudo, inviabiliza possamos despachar nosso equipamento.

Convencidos de que TEMOS que levar nosso equipamento como bagagem de mão, então temos que pensar: como vamos transportar nosso equipamento na bagagem de mão. Para começar, é impossível levar o equipamento para uma viagem profissional na quota de 5kg. Eu sempre trabalho com a margem internacional: 10kg em uma malinha mais uma pequena mochila com laptop e coisas de escritório.
Como muitos fotógrafos, eu já tentei tudo quanto é mochila e mala que existe no mercado. Atualmente, cheguei em uma solução que me satisfaz plenamente. Claro que, dependendo de suas necessidades, essa configuração pode não lhe satisfazer.

Em torno de 80% do trabalho que faço são coberturas de provas de Triathlon e fotos produzidas relacionadas ao esporte. Para essas viagens, levo comigo dois corpos, uma lente grande (70-200), duas lentes médias (uma mid-range zoom e uma ultra wide), uma lente pequena (50mm fixa), dois flashs, um teleconverter, uma GoPro, carregador, 3 filtros, 1 receiver e 2 receptores para uso de flash remoto (flash trigger) e duas baterias reservas. Isso tudo pesa em torno de 7,5kg. Esse é o material que considero essencial para a minha rotina. Meu laptop vai em em uma pequena mochila.

Para que todo esse equipamento caiba em uma mochila, ela precisa ser grande e alta. Em aviões menores, como os da Azul ou Trip isso é um problema. Quando usava mochilas grandes tive alguns problemas no check-in. Se a atendente resolver pesar sua bagagem de mão, as coisas complicam. Você terá que abrir a mala e mostrar que se trata de equipamento eletrônico. Lembre-se que as próprias companhias brasileiras avisam que não despacham eletrônicos. Isso gera um paradoxo para eles mesmos: não podemos levar mais do que 5kg, mas eles não garantem o despacho de eletrônicos. No meu caso, prefiro evitar o estresse. Após pesquisar bastante, encontrei uma mala que me surpreendeu: a Lowepro Roller Lite 150 AW (deixo claro eu comprei a mala e que não tenho qualquer relação com a marca).

Versão light da minha mala de mão.
Versão light da minha mala de mão.

Trata-se de uma mala pequena, menor do que as carry-on tradicionais (35.6 x 18.4 x 47.6 cm). Fiz uma pesquisa nas principais companhias aéreas do mundo e essas medidas cabem em, praticamente, qualquer avião. Note que a altura é pequena, apenas 18,4cm. O espaço interno, no entanto é surpreendente. Cabe muita, mas muita coisa mesmo nessa malinha. O equipamento que citei acima vai facilmente. Se forçar a barra, mais uma lente e alguns acessórios se assentam tranquilamente.

O grande segredo é que ela tem espumas mais finais do que as mochilas, afinal, a mala levada como bagagem de mão sofre menos impacto e é menos revirada de um lado para o outro em relação às mochilas. Ela ainda é bem leve, pesando cerca de 2,5kg. Com isso, ela e o equipamento ficam dentro do limite de 10kg, o que é excelente!

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Mais importante ainda, ela é uma mala que não chama a atenção de ninguém, pois é, realmente, bem menor do que as malas de mão de mão tradicionais que vemos no aeroporto (veja abaixo). Lembro-me de uma vez quando voltei de Miami e os funcionários da American Airlines pesavam todas as malas de mão. Quando o rapaz olhou a minha, mandou passar direto. Bola dentro! Para ser sincero, nos 8 meses após comprá-la, não tive mais problema.

Para quem prefere a Think Tank, a marca tem uma bem parecida, a Airport AirStream Roller. Esta, porém, é significativamente mais cara que a da Lowepro (250usd da Lowepro contra 350usd da Think Tank). Ambas possuem alça retrátil, rodinhas e capa de chuva, o que é muito útil.

Modelo da ThinkTank
Modelo da ThinkTank

Dica: vale a pena se fidelizar a uma companhia aérea no Brasil e uma no exterior. Ao atingir status mais elevados nos programas de fidelidade, você terá acesso ao check-in prioritário e suas dores de cabeça vão diminuir (este tema será assunto de um movo post em breve).

Lembre-se sempre de ficar de olho o tempo inteiro na bagagem de mão. Se for parar ou comer alguma coisa, mantenha a mal encostada em você e a mochila nas costas ou no colo. Não custa nada e você não será pego desprevenido.
Na continuação deste post, falarei sobre a bagagem e os equipamentos que costumo despachar.

Bons cliques.

Categories: Tech,Viagens

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