Wagner Araujo

Vai viajar a passeio? Leve apenas uma lente versátil!

As lentes super zoom não são as melhores na qualidade, mas são leves e versáteis, ideais para colocar em uma pequena bolsa durante uma viagem.

Viagens a passeio para fotógrafos podem ser extremamente prazeirosas ou se tornar grandes decepções. Tudo depende da forma que abordamos a viagem e, principalmente, dos propósitos da mesma.

Há casos de viagens a passeio que são planejadas exclusivamente para fotografar, o famoso “turismo fotográfico” (muito comum em Safaris na África, inclusive com aluguel de equipamentos). Neste caso, leve todo seu equipamento, esteja preparado para todas as situações possíveis e seja muito feliz no meio de fanáticos como você.

Mas, na maioria das vezes, viagens a passeio envolvem companhias que, nem sempre, se empolgam com a fotografia da mesma forma que você. Nessas viagens, o objetivo principal não é registrar a luz profissionalmente, mas curtir bons momentos, admirar paisagens, comer pratos regionais, conhecer pessoas e a cultura local. Ao seu lado estará sua companheira (o mesmo vale para as fotógrafas com seus companheiros – Você também pode estar com a família ou amigos, o que multiplica as ponderações que devemos fazer). Ela é a pessoa que deve ficar satisfeita com a viagem, junto com você.

Provavelmente, ela não ficará feliz se você levar uma mochila com dois corpos, 6 lentes e 3 flashes, além de uma mala com todos seus acessórios. Simplesmente não funciona. Você carregará peso demais, demorará demais para sair do hotel todo dia, vai ser o centro das atenções dos ladrões e, para acabar com seu relacionamento, vai querer parar a cada 10 metros abrir o tripé, colocar o flash em um lighstand posicionar sua companheira em 30 poses diferentes para escolher uma imagem depois no quarto (o que o fará ficar horas no computador durante a viagem). Mesmo que ela adore fotografia como você, as mulheres sabem diferenciar melhor os objetivos de uma viagem a dois ou com a família, para PASSEIO (não é machismo, mas nós homens somos péssimos nisso).

Você deve estar pensando nessa altura: “Melhor nem fotografar…” Nada disso! Ela (sua companheira ou a família inteira, a partir de agora me refiro a “ela” ou “companheira” também como família) vai querer ver fotos da viagem e você não vai conseguir visitar um local novo sem um único clique . Como resolver esse problema?

Certa vez, um amigo que gosta de fotografia me disse: “os profissionais complicam demais as coisas. Eu consigo todas as fotos que QUERO com uma Nikon D90 e uma lente 18-200mm”. Ele tinha razão, pois quando complicamos as coisas não é porque queremos complicar, é porque QUEREMOS uma determinada imagem específica. Mas, em uma viagem a passeio com a família, para quê complicar as coisas? É aí que as lentes super zoom entram em ação.

Meu primeiro contato com essas lentes foi a antiga Nikon AF-S DX NIKKOR 18-200mm f/3.5-5.6G ED VR. Uma baaaaita lente para câmeras DX. Você pode ir de grande angular a tele em menos de um segundo! Literalmente! E o desempenho é aceitável em toda a extensão de zoom. Fiquei com essa lente por 15 meses e ela nunca me decepcionou. Quando não fotografava esportes, deixava a 17-50mm f/2.8 e a 70-200mm f/2.8 em casa e levava a 18-200mm com um 35mm f/1.8. Eram 2kg a menos!

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Logo descobri que não somos tão cuidadosos com nossos equipamentos quando estamos bebendo vinho em viagens e sabemos que podemos perder alguns shots. A 18-200 Nikon é cara (US$ 200 mais cara que a Canon, custando mais de 800 dólares), e eu tinha muito medo de jogar esse dinheiro no lixo brincando nas férias. Comecei, então, a pesquisar outras opções mais baratas para minha surrada D7000.

Gosto muito das avaliações do website DxoMark (http://www.dxomark.com – eles têm ainda um excelente software de correções de lentes por 39 dólares, o que é uma barganha), que faz uma série de análises técnicas de, praticamente, todas as lentes existentes montadas em diversas câmeras diferentes. Fiquei entre duas lentes, a Sigma 18-250mm f/3.5-6.3 DC OS HSM (US$399) e a Tamron AF18-270mm f/3.5-6.3 Di II VC (US$649). Como a sigma tinha um escore maior no DxoMark e ainda era mais de 200 dólares mais barata (o que faz uma enorme diferença na hora do imposto na imigração), optei pela Sigma. Comprei usada por incríveis US$269 na Adorama, impecável.

Na verdade, todos os reviews que achei na net sobre essa lente a exaltavam. Primeiro, essa lente é barata, e eu adoro coisas baratas e boas. Ela ainda é bonitinha, transformando-a em uma BBB. Segundo, ela é leve (600g), por isso adoro sair de casa com ela e posso levá-la a qualquer lugar em qualquer bolsa. Terceiro, ela é versátil, especialmente na luz do dia. Para um dia claro, dentro de uma cidade, é a única lente que carrego comigo, pois ela faz tudo o que preciso em uma viagem a passeio. Você pode pensar que abertura f/6.3 é pequena demais para gerar um bom bokeh, mas a 250mm em uma DX o resultado é bem satisfatório.
Para mim, ela tem uma nitidez muito boa em torno dos 20-35mm e entre 180-210mm. Nesses intervalos esta Sigma é matadora. Claro que ela não é tão boa como as Nikon f/2.8 que uso para trabalhar (17-55DX, 24-70 ou a 70-200), mas para uma lente tão versátil usada para fotos pessoais, ela é o Santo Graal. Não estou exagerando, essas lentes são ótimas para bater perna por uma cidade inteira, sem ter que trocar nada, sem ter que carregar uma mochila enorme e sem chamar muita atenção.

Você ficará feliz, sua esposa ficará feliz, seus filhos ficarão felizes, enfim, todos saem ganhando. Se você colocar sua máquina no modo AUTO e usar essa lente, até seu caçula de 7 anos vai fazer alguns boas imagens.

Uma das coisas que não gosto nela é que o filtro é de 72mm, pois só tenho filtros de 77mm. Por esse motivo, instalei um adaptar step-up 72mm>77mm permanentemente nela (só não colei com super bonder para poder vender depois). Com isso, comprei uma tampa de 77mm, o que me custou 9 dólares. Problema resolvido e baixo custo mantido, afinal não iria comprar todos meus filtros na versão 72mm, óbvio.

Também não gosto do sistema de mudança da distância focal (vulgo zoom). Em todas as minhas lentes, aumento a distância focal à medida que giro o dispositivo no sentido horário. Nesta Sigma é anti-horário, o que já me fez perder tempo, fotos e a calma algumas vezes. Esse é seu principal defeito, um sistema realmente sem sentido algum.

A última coisa que não me agrada na 18-250mm Sigma é a escala de foco, muito pequena. Da distância de foco mínima (45cm) até 4m são menos de 1cm na lente, sem escalas intermediárias. De 4m até o infinito são quase 2cm sem nenhuma divisão. Isso atrapalha um pouco no uso do hiperfoco, mas não é nada grave.

Sua taxa de reprodução macro é de 1:3.4, bem honesto para esse tipo de lente. Há até uma escala para isso. Para macro de verdade, essa não é uma boa escolha. Para alguns closes em flores durante as viagens, ok.

A estabilização ótica é muito boa, em torno de 3-4 f/stops. Isso significa que você pode apoiar a máquina nos bancos e fazer fotos dentro de igrejas que não permitem uso de tripés. Consigo fazer fotos nítidas com ela até 1/30seg sem nenhum problema, especialmente se for nas distâncias focais mais abertas.

De vez em quando, principalmente em viagens que envolvem pedaladas ou passeios pelo campo, por matas, por vales, etc., levo comigo também uma lente ultra wide, no meu caso a espetacular Tokina 11-16mm f/2.8 AT-X 116 Pro DX (599 dólares), de longe a melhor lente DX nessas distâncias focais. Ganha de mil a zero da Nikon 10-24mm DX (em breve farei um post sobre ela). Quando tinha uma fisheye, a levava, mas com a Tokina a 11mm não preciso mais da fish. Para viagens predominantemente urbanas, carrego junto com a Sigma a sublime Nikon 35mm f/1.8 DX que mencionei antes, a melhor lente Nikon em uma D7000. Com essa lente, fico bem à vontade com pouca luz. Em viagens de extrema empolgação, carrego as três, mas isso é muito raro. Normalmente, saio só com a Sigma mesmo.

Custo baixo, baixo peso, qualidade boa, foco interno (pode ser usado em qualquer Nikon DX), close-up de 1:3.4, estabilização de imagem, ângulo de visão de 69,3º a 5,7º, distância de foco mínima de 45cm, excelente foco automático e ainda uma trava a 18mm para transporte. Se não fosse o filtro de 72mm e, principalmente, o atrapalhado (quase inexplicável) sistema de zoom invertido, essa lente seria uma prima donna do mundo DX.

Nos últimos anos, acabei migrando tudo para o full frame, deixando minha esposa com o equipamento DX. Tudo o que disse aqui vale para a versão FX da 18-200, a espetacular Nikon 28-300 AF-S, com a vantagem que ela já possui filtro de 77mm. Vou ser sincero, já fotografei um evento esportivo inteiro com essa lente e ela não deixou a desejar em nada em comparação com a dupla 24-70 e 70-200 (claro, era um dia claro e não precisei de usar lentes mais claras).

Bons cliques.

Wagner Araújo

Categories: Tech,Viagens

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